quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Arte: Tangara Fastuosa

Antes do teu olhar, não era,
nem será depois — primavera.
Pois vivemos do que perdura,

não do que fomos. Desse acaso
do que foi visto e amado: — o prazo
do Criador na criatura...

Não sou eu, mas sim o perfume
que em ti me conserva e resume
o resto, que as horas consomem.

Mas não chores, que no meu dia
há mais sonho e sabedoria
que nos vagos séculos do homem.

Cecília Meireles
(Antologia Poética, Relógio d'Água)

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